Tudo é uma questão de semântica.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Perdão, Ana.



Perdão Ana, venho através desta, corresponder minhas dores até ti
Dizer que paguei cada fagulha que te corroeu
Que sinto forte cada fisgada
Do voo doo que você me ofereceu
Entrei numa estrada que não era minha
Estrada que não levou, nem você, nem eu
Feri os frutos das tuas noites insones
Os frutos do teu ventre de digna mãe
Da forma como jamais serei
Paguei pelas noites que roubei tua companhia
Pelas tardes que nem chegaram
Perdoa Ana, e me livra
Desse karma que aqui paira só meu
Eu seco a cada segundo um pouco mais
Eu sinto a chaga interna que queima
As agulhadas acompanhadas
De tuas mais dolorosas gargalhadas
A vingança é palavra pesada
Mas que deixa clara a tua lei
A lei do aqui se faz, aqui se paga.
Livrai-me
Oh, Ana.


domingo, 27 de julho de 2014

DEPOIS DO TEMPO



Quem há de me querer?
E tentar ousar me ter
E ter meus calos e todas
Todas as minhas tolices
Minhas preguiças domingueiras
Devolver meus sábados de bebedeiras
E meu mau humor matinal
Quem há?
Somente a vida
É quem anda
Generosamente me comendo
Sem nem olhar os olhos
E dar tempo para respirar em paz
Somente a vida é quem anda se ardendo, de tão presa e morrendo
A cada ínfimo segundo dentro de mim
Quem há de ser tão louco assim?
Cavar seu próprio mal
Adentrar seu próprio inferno
E buscar seu pesadelo
E acordar passando mal
Sempre que eu quiser tê-lo
Quem há de querer
Insanidade gratuita
Particularidades entediantes
Prender-se num só casulo?
Somente a mim, o karma chega e adentra a pele
Somente a mim, a estrada diz olá
Somente minhas, são as chagas purulentas
Somente a vida

É quem anda me comendo.