Quem há de me querer?
E tentar ousar me ter
E ter meus calos e todas
Todas as minhas tolices
Minhas preguiças domingueiras
Devolver meus sábados de bebedeiras
E meu mau humor matinal
Quem há?
Somente a vida
É quem anda
Generosamente me comendo
Sem nem olhar os olhos
E dar tempo para respirar em paz
Somente a vida é quem anda se ardendo, de tão presa e
morrendo
A cada ínfimo segundo dentro de mim
Quem há de ser tão louco assim?
Cavar seu próprio mal
Adentrar seu próprio inferno
E buscar seu pesadelo
E acordar passando mal
Sempre que eu quiser tê-lo
Quem há de querer
Insanidade gratuita
Particularidades entediantes
Prender-se num só casulo?
Somente a mim, o karma chega e adentra a pele
Somente a mim, a estrada diz olá
Somente minhas, são as chagas purulentas
Somente a vida
É quem anda me comendo.