sábado, 5 de março de 2016
Pós-abstinência
No auge de toda a minha decadência
Olho por cima do prédio e dos ombros
De costas eu penso:
O que me trouxe até aqui?
Manter os pés no chão e sempre gritar os mesmos versos,
não foi suficiente solução.
Do alto do prédio eu vejo as luzes
E calculo o percentual de dor que sentirei
Ao tocar meu corpo já frio no chão
Vou? Fico?
Do alto do prédio eu vejo as luzes de todos os bares
E o reflexo de todos os copos
O cheiro vazio de todos os corpos
E sinto vergonha de estar ali.
Caindo lentamente uma cinza de cigarro
Do alto do prédio eu penso na ironia, que tem a vida
Em todos os passantes na rua, que tem a vida
Com quantos me deparei, durante a vida
Quantos eu não deveria ter deixado ir?
Do alto do prédio eu desço
E procuro a luz, que
ainda
tem a vida
A encontro nesses reflexos de copos bares, e a mato mais uma vez.
Que vida pode existir num bar?
Que vida pode existir num copo?
Que vida pode existir num corpo?
A vida deixa de existir, no topo.
Do alto do prédio eu desço
Finco meus pés no chão
Sigo em busca do reflexo (outro copo)
Mas no fim, eu só trago a solidão.
O desamor me tornou decadente
Os bares, fiel salvação
Do alto do prédio, eu já pulei faz tempo, e nem sequer percebi.
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