Tudo é uma questão de semântica.

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Amarelo-Sangue


Pálido
Amarelo
Mal distribuído.
Era o sinal de que minha vida findava
Gota a gota
Enquanto respingava meu resto de sangue no mundo,
Respingavam minhas lágrimas para dentro

Como um cão atropelado e morrendo
Eu sofria
Com meu ar em extinção
Entrando e saindo como placebo das minhas narinas
Com meu amarelo-sangue
Extinguindo o que restou da minha jovem pseudo-vida
Eu era um ser extinto!
Jazia em vida...
Vontade de ser ainda tinha,
Mas não mais seria.
Nem mais astronauta, nem mais bombeira, nem mais professora, nem mais bailarina... Havia um ponto posto precocemente em minha vida.

E todos os pecados eram perdoados, pois dizem que os que se vão de chagas fortes
Do inferno estão livres
Então, eu cesso a palavra em paz
E aceito o presente purgatório
Morro,
Me esvazio,
Me vou,
Me desmancho em verso
Mas parto como poeta que sou
E transformo meu corpo que agora jaz em uma cama fria
Em meu último verso

Morro pra virar poesia.