Tudo é uma questão de semântica.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Procura-se




Procura-se eu
Mas não qualquer eu
Como os que tenho sido
Procura-se o meu eu
Aquele que eu perdi em uma esquina
Deixei cair de algum bolso furado
Caiu em uma estrada lá de trás
E eu nem vi
Nunca mais o encontrei
Caiu tão baixo
Tão mais baixo que o chão
Que não percebi
Procura-se eu
Avisos são bem vindos
De quem quer que encontre-o
Vagando por ai

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Outras Linhas





E eu que quase surto a me ver 
Neste par de espelhos de histórias
Ou não surto mais por já ter completado 
O ciclo de surtos incuráveis,
Que embrulham todos os falhos arquivos da memória
E eu que me vejo de encontro com estas janelas que guardam a placa que diz:
Aqui jaz, amor, carinho, amizade e tudo o mais.
E me perco ao vão
E me perco ao chão
E me pergunto
Como faço
Para manter-me de pé diante do espelho?
Como faço
Para manter-me de pé?
Como faço 
Para manter-me mulher?
Como faço
Para deixar de cuspir linhas 
E outras linhas 
Sempre que encontro tais janelas?
Mesmo que seja um evento mais duvidoso 
E catastrófico 
Que o próprio final de todos os mundos...
Como faço?
Ainda há algum mundo escondido atrás destas janelas?