A decadência do pó que fica por baixo dos móveis
O silencio da sala vazia que ocupa o vácuo causado pelo
vácuo
Construindo constantemente escadas que te movem em direção
à avalanche
O sexo casualmente salvador de quem?
A abstinência literária-sexual-amigável-mórbida/companhia
O estar indo não sei bem o porquê nem muito menos para onde
Tentando ludibriar inútil e não tão mais sutilmente as
questões que pairam
E pairam a cada passo pisado, um pouco menos sutil
E as mentiras não mais tão sinceras,
Mas licor necessário para seguir o “não sei por quê nem
muito menos para onde”
O olho amarelo que te observa
Único a te contar verdades
E te lê
As palavras seguem traindo
Não sei muito bem a quem
Nem mais porquês
A falta paira leve como tijolo estilhaçado
Mas não se sabe mais de quem
Uma moeda com duas caras, ou duas moedas com caras
diferentes?
Por que? Para quem? Para onde e quando?
A empatia ficou presa na abstinência, e segue-se sem todo o
resto.
Só o vinho fica
Mais uma vez.
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