Tudo é uma questão de semântica.

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Jaz o Jazz

Querendo ser sóbria, rezo sempre uma contradição
Me observo no espelho e pergunto
-a quem quero enganar?
O que digo quando te ver passante?
pelos caminhos que sei:
Ainda irão se cruzar.
Pergunto com todas as incertezas
cabíveis a mim por direito
O que fora feito de tão grave
Para que de súbito, voasse?
Foram meus poemas pesados?
Minhas meia-verdades não colocadas em teu colchão?
Foi minha franqueza, ao dizer que não me demoraria?

Preste atenção:
Tudo não passa de balela
De quem muito teme e pouco vive
Tudo não passou de desespero
De quem fora precoce demais
...para agora em tudo crer.

Difícil mesmo é manter os pés cravados
Numa monstruosidade que a mim não pertence
Não nasci para ser canalha
Saiba!
Não me basta pele seca.
Engoli o choro e vomitei inverdades
A verdade mesmo... essa eu também engoli
Junto às minhas feridas não-curadas

Ouça baixo:
A muito um sorriso assim não me arrebatava
E ao perceber, eu fugi
Levei comigo a ponta dos teus dedos
Me decorando, parecia saber
que eu não ficaria ali
A muito uma cara sacana não me derrubava com tamanha rasteira
E correndo, fugindo, não querendo
Quando vi, já estava no chão.

Se me permite eu explico daqui:
A liberdade das palavras nunca havia me deixado
Tão sem lugar
E a tua voz eu ainda levo, leve...
Como um jazz, como um jazz.


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