Eu sou o amargo preso na tua garganta
A cólera alucinógena em todos os teus rastros
Trazendo-te cada vez mais para dentro de mim
Causando em cada dose, maiores estragos.
Eu sou o demônio que te coloca no colo
E te nina... Até a
ficha cair
Onde o tiro chega a ti como uma luva,
De onde sabes que não podes mais sair.
Eu sou a fome implantada em tua loucura
A fome de tudo que te tira do chão
Que ilusoriamente pensas que te cura
Abandonando-te sempre mais forte na contramão
Eu sou o tiro em cheio, bem no meio do teu peito!
Eu sou onde descansas, onde encontras leito,
O súbito grito abafado nesse amargo...
O hálito seco nessa sede infernal
A cara amassada nesse falso sorriso matinal
Eu sou as vírgulas engolidas e a raiva remoendo
Sou a faca atravessada no teu pulso
Sou o manicômio que te traga a vida
O reencontro com teu final lento...
Estou aqui para te trazer afagos e sorrisos... Meu bem.
Levanta a cara desse tabuleiro sujo,
Olha as tuas marcas que o espelho não mostra
Joga fora essa caneta vagabunda
Que só escreve em ti, linhas tortas
Sente o meu amargo no teu ventre
Envenenando tua pupila hora a hora
Sente o sangue que em teu peito bate quente
E tua sentença construída no agora.
Voa lento, voa alto, voa sempre
Pousa firme, segura e em frente
Aproveita as asas e segue consciente:
Pois esse beijo que adoça a tua pupila
Pois esse beijo que adoça a tua pupila
É o mesmo tiro que ainda amarga as tuas asas,
E essa sede de quem acha tudo novo
Ainda há de te impedir de alçar vôo.
Às vezes somos fúrias em outros humanos, mas outros humanos podem ser nossas fúrias.
ResponderExcluirGilson