Tudo é uma questão de semântica.

sábado, 9 de setembro de 2017

PEQUENA MORTE II


O vinho goteja num compasso
Onde se perde o passo
Onde se encontra o ponto
Onde se abre o espaço

O vinho goteja em uma valsa não ensaiada
Onde se confunde, vinho e saliva
Derramando da tua boca, gostas da minha carne viva

Do teu hálito goteja o ar
Do errado, do pecado
Do previamente calculado

Eu te espreito de longe
Provocação e instinto
Gozo junto, gozo dentro
Soprando o fogo de perto
Enfiando brasa corpo adentro
Explodindo em um encontro, onde tu e eu desfalecemos
Sincronizados com o sol
Que dança solto entrando pela janela
E deita nas almofadas molhadas
Enquanto ressuscitamos para morrer mais,
Quem sabe?

terça-feira, 20 de junho de 2017

A história das mentiras pseudo-sinceras




A decadência do pó que fica por baixo dos móveis
O silencio da sala vazia que ocupa o vácuo causado pelo vácuo
Construindo constantemente escadas que te movem em direção à avalanche
O sexo casualmente salvador de quem?
A abstinência literária-sexual-amigável-mórbida/companhia
O estar indo não sei bem o porquê nem muito menos para onde
Tentando ludibriar inútil e não tão mais sutilmente as questões que pairam
E pairam a cada passo pisado, um pouco menos sutil
E as mentiras não mais tão sinceras,
Mas licor necessário para seguir o “não sei por quê nem muito menos para onde”
O olho amarelo que te observa
Único a te contar verdades
E te lê
As palavras seguem traindo
Não sei muito bem a quem
Nem mais porquês
A falta paira leve como tijolo estilhaçado
Mas não se sabe mais de quem
Uma moeda com duas caras, ou duas moedas com caras diferentes?
Por que? Para quem? Para onde e quando?
A empatia ficou presa na abstinência, e segue-se sem todo o resto.
Só o vinho fica

Mais uma vez. 

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Poema sobre coisas, e um talvez



Vou te contar uma coisa que talvez tu não saibas
Teu rosto sorrindo é combustível para seguir essa caminhada
Cujo final eu não sei onde vai dar
Teus olhos quando me fitam
É como se num salto me vissem
E eu vou
Seguindo esse caminho cujo final eu não sei onde vai dar
Enquanto tuas mãos de amigo seguram a minha
Um calafrio percorre minha espinha
Enquanto teu sexo me invade
Eu contigo fiz amor
E isso é umas das coisas que talvez tu não saibas
Dentre tantas
E tantas
Eu sigo esse caminho
Cujo final

Quem sabe?

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Poe-mito (Para os meus 50 anos)


Se soubesses tu, dessa tal inquietude
Engoliria com afinco
Todas as inseguranças que não te cabem
E guardaria para mim a tua pele
Não tão pura, não tão calma, não tão minha
Mas que me fez tão leve
Só minha, enquanto minha
Leve como rima breve
Por onde passei lábio e língua
Tatuando em ti, baixos poemas

E gozos d’alma.

ISTO NÃO É UM HAIKAI



Um lapso
Um susto
Um toque
Um curto

Um curto espaço
Entre o tempo que resta
E o abraço apertado

Um lapso
Um curto
Espaço
Passo
Ex-passo...

...lapso!

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Je Suis Ressuscitado


Em meio a porras e ais
e gritos desnecessários,
minha lucidez cresce tanto que me sobra
Sobra tanto, que assombra

Um dia ela se joga
daquele velho banquinho.

Quem sabe?


Poeminha Inundado


Quando juntos, certa vez
Choveu
E enquanto a chuva estalava
e freneticamente molhava o telhado
(Barulhenta)
Tuas mãos igualmente frenéticas
Molhavam a mim.
E de repente,
choveu!
Tanto
que a cama
flutuou.