Tudo é uma questão de semântica.

domingo, 30 de junho de 2013

Muito Obrigado!

Obrigado pela falta de tudo
Considerações amizade e respeito
Esse do qual você tanto falava
Obrigado por ter acreditado
Nas primeiras palavras que te disseram a meu respeito
E obrigado por não ter acreditado
Nas que saiam da minha boca
Obrigado por me dar motivos
Pra querer sempre mais
Distância, repugnância, arrogância
Em se tratando de ti
E por falar em arrogância
Obrigado por ter aprendido a lição
E ter me deixado com o coração na mão
Os pra sempre são todos iguais
Sempre chegam ao seu determinado final
Obrigado por ter me comparado
As sujeiras que rodeavam tua vida
E por ter se divertido
As minhas custas, aos meus sorrisos
A minha pele e alma
Sim, pois eu tenho também
E por falar em coisas que tenho
Tenho dor e não nego, aliás, não nego nada o que tenho
Nem que tive
Mas isso eu não preciso lhe falar
Obrigado por ter ouvido meus segredos
E por eu ter certeza de que não vais guardar
Fiz de tudo um pouco, e um pouco mais
Dependia das doses, meu bem.
Arrependimento?
Não o conhecia até então
Mas como pra tudo há uma primeira vez
Ah se eu pudesse voltar
Jamais teria segurado o teu copo
Mas como não há volta
O jeito é te exorcizar
A você o meu muito obrigado
Que fique guardado
No seu lugar.

Des-culpa

Desculpe-me pela inconveniência
De te querer desta forma
De pensar em ti até que amanheça
E sorrir quando você me acorda
Desculpe-me por não ter te procurado
Nas horas e lugares certos
Por ter deixado a vida seguir
Por caminhos tão incertos
Me desculpe por pedir desculpas
Quando não sinto a culpa
E me desculpe pela falta da culpa também
Me desculpe por te desejar
Assim todas as horas em que respiro
Me desculpe por ser assim
E te querer a pele
Te querer matar a sede
Te querer queimar o corpo
Desculpe-me por não ter coragem
De saciar meu desejo
Matar-te a bilhões de beijos
Implorar para ficar
Me perdoe pelo tempo, que me falta
Pela impossibilidade de viver
Essa luxúria que me queima
Esse desejo que me arde
E me faz ranger os dentes
De imaginar teu peso sobre mim
Me desculpe pelo não posso
Mas é que a vida
Achou de brincar de me espancar
Com tapas sem mãos
Com luvas de películas
Com faltas que não posso saciar
Me desculpe pela ausência da culpa
Mas é que as coisas
Por si só, meu bem
Já são demais para pesar.




Se...

E se eu pudesse dizer perdoa-me
Eu diria
Mas a minha infâmia e maldade seriam cada vez maiores
Se eu pudesse arrancar de ti a dor
E todos os espinhos que te cravei
Acredite-me tiraria e enfiaria em minha carne
Um a um
Se eu pudesse me converter numa surra de silício
Eu assim o faria
Mas de nada adiantou eu sofrer
Senão, valer a tua certeza de não sofrer só
Mas de nada adiantaria eu de cá
Tentar sarar a tua dor
Tentar afanar as tuas lágrimas
Tentar roubar-te o teu pesar
Deixo-te viver e me retiro
Levo junto o meu amor, mas levo bem guardado
Mesmo que desfigurado
Se eu pudesse dizer eu diria
Perdoa-me por meus passos mal dados
Meus carinhos mal intencionados
Minhas dores, minhas angústias
Minha exigência, minha posse
Minha repugnante pessoa
Minha cara cínica
Mas verdadeira como só eu sei
Perdoa minhas trapaças
Minhas ameaças
Minhas injustiças e imperfeições
Perdoa minha falta de sensibilidade
Mesmo me julgando tão sensível
Aliás, perdoa eu ter sido sensível demais
Perdoa a falta de tempo, de espaço
De tudo
Perdoa a falta
E a falta que eu sei que a falta faz
Se eu pudesse dizer eu assim diria
Perdoa
Mas eu não posso
Não posso
Por isso, deixo-te em paz.

Cadê?

E o olhar doce, cadê?
E o amor todo, onde esta?
E a vontade enorme, morreu?
E a amizade também, onde foi?
Onde mora agora aquele fogo todo que se dizia amor?
Era paixão?
Era paixão...
Assim, avassaladora até a ponta das unhas
Faltava arrancar o ventre de tanta ansiedade
Faltava enlouquecer de tanto desejo
Faltava explodir de tanta felicidade
Não cabia no peito, não cabia nas mãos,
Não cabia mais nem sequer nos pensamentos
Tinha que ser vivido
Mostrado
Cantado
Gritado
E agora, cadê?
Cadê carinho, amizade, cúmplice de quem?
Cadê?
Agora, não mais se sabe
Vai ver foi tudo se guardar, no mesmo armário de onde não deveria ter se furtado.

sábado, 8 de junho de 2013

Maria Joana




Gosto de gente doidona
Que aprecia um bom papo
Um bom vinho
Que se sente à mesa de um bar qualquer
E fale de decoração ou poesia
Gente que não se prende...
À preguiça de corpo         
À preguiça de mente
Que seja incansável e
Mantenha a juventude
A plenos 80 anos
Ou 80 passos
Que grite a plenos pulmões
Que ame a plena pele
Que aposte a mesma no amor
A qualquer coisa que a seus olhos seja amável
Gente sem cheiro de cheetos
Sem medo de altura
Sem medo da madrugada
Que não canse
E se cansa
Que descanse junto e sem roupa
Que acorde os acordes
E deixe fluir
Fluir os fluidos
Fluir a mente
Que seja gente
Que me devolva pra mim
Ou me mostre um alguém melhor
Gosto de gente que ri a toa
Que não mede esforços
Que coma junto
Que socialize até com os passarinhos
Que não tenha medo de perder
Que erre sempre que desnecessário
Que ame a qualquer hora em qualquer lugar
Gente que não se fecha pra o que é bom
Nem pra o que é ruim
Que não se fecha pra si
Gente que não vê mal algum em falar bobagem
Que ouça música até de madrugada
Gente que torra as ideias na beira da praia
Beije a boca e não fuja da razão
Ande descalço e de mãos dadas
Mas que seja no asfalto urbano às 3 da madrugada