E se eu pudesse dizer perdoa-me
Eu diria
Mas a minha infâmia e maldade seriam cada vez maiores
Se eu pudesse arrancar de ti a dor
E todos os espinhos que te cravei
Acredite-me tiraria e enfiaria em minha carne
Um a um
Se eu pudesse me converter numa surra de silício
Eu assim o faria
Mas de nada adiantou eu sofrer
Senão, valer a tua certeza de não sofrer só
Mas de nada adiantaria eu de cá
Tentar sarar a tua dor
Tentar afanar as tuas lágrimas
Tentar roubar-te o teu pesar
Deixo-te viver e me retiro
Levo junto o meu amor, mas levo bem guardado
Mesmo que desfigurado
Se eu pudesse dizer eu diria
Perdoa-me por meus passos mal dados
Meus carinhos mal intencionados
Minhas dores, minhas angústias
Minha exigência, minha posse
Minha repugnante pessoa
Minha cara cínica
Mas verdadeira como só eu sei
Perdoa minhas trapaças
Minhas ameaças
Minhas injustiças e imperfeições
Perdoa minha falta de sensibilidade
Mesmo me julgando tão sensível
Aliás, perdoa eu ter sido sensível demais
Perdoa a falta de tempo, de espaço
De tudo
Perdoa a falta
E a falta que eu sei que a falta faz
Se eu pudesse dizer eu assim diria
Perdoa
Mas eu não posso
Não posso
Por isso, deixo-te em paz.
domingo, 30 de junho de 2013
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