Tudo é uma questão de semântica.

terça-feira, 30 de abril de 2013

Pequena Morte



É preciso alimentar o monstro
O monstro da vulgaridade
Monstruosa insanidade
Insanidade nada particular
É preciso ferver o sangue
E deixar a pele falar
Minha sede devora teu pudor
O mata e suplica
Mata-me lentamente
Como os franceses em seus risos recatados
Acende-me novamente o veneno
E joga-me na fogueira das paixões proibidas
Violenta essa culpa que me atrai
Relembra  a cólera
Relembra o vidro embaçado
Relembro o riso perdido na fumaça
Destrói essa falta de tudo
E me mata no fim
Violentamente
A mais bela violência
Aquela  dos franceses, lembra?
Aquela a quem chamam
Pequena morte.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

Ao Fim do Eterno.

Estou me afastando de tudo que queria
Queria bem, como ninguém
Mas que não saiu como planejado
Estou indo embora, mas deixo um abraço
E levo minhas contas por pagar
Estou me afastando do que me anula
E do que me deixa também anular
Estou partindo, mas deixo lembranças
E certamente as levarei também
Desejo-te sorte e novas histórias
E certamente alguém para amar
Desejo-te banhos de chuva e chá quente
E alguém para conversar
Desejo a mim a mesma sorte
Os mesmos biscoitos e beijos
Estou levando muito de ti
E acredite, muito a agradecer
Saber brincar é um dom
Mas rir de tudo é medo
Desejo-te coragem para seguir em frente
E que não generalize
A vida é uma só, só sabe quem vive
Desejo-te ar puro e bons filhos
Que certamente irão te admirar
Enquanto isso eu sigo meu caminho
Aumento meu volume e sigo meu blues
Levo de ti a amizade e carinho
E o respeito escondido no fundo do pote
Pois acredito que ainda haja algum
Quero te ver sorrindo lá na frente
E se precisar
Sempre pode ligar, lembra?
Amizade em primeiro lugar
Estou indo embora porque preciso voar
Mas fique certo
Não fui por não te amar
Levo de ti a certeza da bondade
E de que realmente vivi um amor
Enquanto isso pego meu copo
Sirvo-me de vinho
Sigo meu caminho
E vou pro meu lugar.

Anti-solidão

Eu andei entupindo os meus neurônios
Com veneno anti-escuridão
Eu andei perdida no asfalto
E voltei pela contramão
Eu ando dando doses de remédios
Cavalares para meu coração
Dando doses de insulina e outras drogas
A primeira chama-se compaixão
Até quando escutar meias verdades?
Até quando perdoar o mesmo perdão?
Submissão não combina com meus olhos
A não ser quando quero, quando peço
Quando mando...
Agora dispenso qualquer opinião
Eu andei entupindo minhas narinas
Com veneno anti-solidão

Desnuda Lua...

Duas luas
Uma para cada um de nós
Luas para usarmos os lençóis
Fazermos dele nosso leito
Nosso eterno travesseiro
Fazer-me te fazer
Derramar e mergulhar
Banhar em teu peito
Colo
Me junta desse mundo
Em que vago perdida
E em tom de despedida
Irei me redimir
Das luas tuas, nossas
Vontades ilícitas expostas
Da ate vontade de sorrir
Duas luas
Uma para cada peito
Para nossos defeitos
Deletérios perfeitos
Históricos metafóricos
Histéricos gritos estreitos
Peito
Arranca sem receio
Arranca a roupa a vontade e as verdades
Devora com tua sagaz voracidade
Não meça palavras
Não meça chão
Pois tudo que me vive, me faz
E te ter por entre e sempre
Minhas pernas, minhas mãos.

Chuva

E a noite então guardava ainda todo o segredo
Silenciosa ela me observava como um assassino
Como um lobo espreitando a sua presa
A muito presa querendo libertar
Libertar o demônio das noites chuvosas
Saindo do seu próprio corpo
Voltando pro mesmo lugar
Neblinosas eram as ruas
As casas-carros, tiros certeiros
Soltos em meio à neblina
E meu pesar traiçoeiro
    [Que bem sei como a química explica
‘’Ela pôs-se a sentir toda neblina no rosto, deixou a alma voar,saiu do lugar’’
E eles postos em volta dela
A observá-la pela janela
Até a vontade saciar.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Veneno

Queria poder tua janela apedrejar
Queria apedrejá-las para tentar me saciar
Queria destilar em você seu próprio veneno
Queria te afogar em lágrimas daquele tempo
Queria poder publicar todas as tuas verdades forjadas
Programadas e esquematizadas
Queria poder fazer isso antes de mais nada
Queria te desmascarar tirando cartas da tua manga
Queria não mais olhar pra os mesmos lugares como a regra manda
Faria salada de você
Para poder te cortar
Para poder te morder
Para poder florescer te olhando apodrecer
Queria rasgar tua pele num ritual satânico
Queria furar teu voodoo com os horrores mais desumanos
Queria te entupir de ópio e te fazer adormecer
Mas a verdade disso tudo...
Nem eu consigo entender.

PSICOPATA

Você precisa de bem mais que veneno e tiros certeiros para me matar
Você precisa queimar seu travesseiro
- Com meu cheiro
E tentar me exorcizar
Minha voz é muito mais alta no silencio da tua cabeça
- Vazia
Minha pele é bem mais macia no fundo da tua imaginação
- Psicopata
Mata-me de desejos de rir das tuas cantadas
- Baratas
Meu sexo é bem mais gostoso quando você se masturba pra mim
A tua doença necessita de bem mais que remédios para ter um fim
Tua doença se chama tédio
Que só pode ser curado por mim
Não adianta me procurar em outros beijos, baby
Como diriam os destruidores:
Você só vai ter um barato ruim.
Você é meu psicopata, me idolatra
Imagina-me no chuveiro
Procura-me no travesseiro
É meu bem, alguns sentimentos são eternamente traiçoeiros
Guerra.

9:15 Quando as desculpas param de funcionar

Acabo de injetar sangue de barata nas minhas veias
Pois todos nós estamos expostos a situações como esta
E todos estão lá fora, rindo por dentro
Destilando venenos estragados
Tudo já passou da validade
Maldita seja nossa covarde coragem
E eu ri de mim mesma querendo chorar
Porque é muito perigoso para a saúde do corpo
E o bem da mente
Quando as desculpas param de funcionar
Minhas mãos estão cada vez mais dormentes
Já não estou tendo como me segurar
E a água parecia petrificada no fundo do copo
E o sangue parecia sumir de ambos os corpos
Era tudo verdade
Mesmo sendo tudo mentira
Meus, teus, nossos porquês
E eu preparava novamente o tabuleiro
Para reiniciar o jogo de xadrez
Todos nós um dia traímos a nós mesmos
Se a nós mesmos, porque preocupar-se com segundas pessoas então?
A chuva sempre ameaçava cair no mesmo horário
Como se quisesse fazer-se cúmplice daquela história toda
Ela olhava o horário
Ele procurava um novo itinerário
E a carne novamente começava a tremer
Ele vê coisas, ela mostra coisas
E os dois não sabem que caminho percorrer

INCESTO

Somos todos vis
Cruéis e mesquinhos
E a fumaça do cigarro me levou pra bem longe
Viagens pesadas no meio da estrada
E o espelho me mostra quem eu sou
Era como se o ato incestuoso
Tivesse sido previamente calculado
Planejado e armado
Erro
Era como uma mensagem numa tela digital
Erro
Era o que rodava minha cabeça como pássaros azuis
Erro
Era como se meu sangue tivesse sumido e levado junto minha consciência
E a vidraça embaçava
Erro
E os milhões de pessoas a quem machuquei?
E os tantos que faríamos chorar?
E o momento não me sai da cabeça:
Erro
Erro
Erro
Fogueira!
Deveríamos ser condenados a fogueira, sem piedade
Deveríamos pagar por tal atrocidade
Deveríamos levar chibatadas em praça publica
O pesar vem como milhões de raios que me acometem num momento de repouso
E os rostos todos, todos aqueles rostos
Que nos olham
Que nos apontam
Que nos condenam
Que nos desmontam
E os nossos dedos no nosso próprio rosto?
E a dor?
E o peso?
E depois?
E antes?
Como foi?
Erro
A fogueira dos incestuosos foi acesa, agora só basta esperar queimar.

Drive in

O caminho turbulento nos levou ao sabor
Você dizia que queria que eu fosse só sua
Dizia que minha carne era a melhor
Dizia que sem mim não seria a mesma coisa

Todas as marcas da estrada
Apontavam para a mesma direção
Volúpia viva
Caminho da libertação

As marcas no meu corpo me faziam lembrar
Que nada volta pro mesmo lugar
Depois que se prova a lição
Depois que se aprende a voar

Me ensina e andar pelos teus caminhos
Me mostra qual delas quer que eu seja
Me da uma colher do teu carinho
E impõe que eu nunca mais esqueça

Me fala da tua boca essas mentiras
Que aceito e engulo todas com carinho
Me da uma gota do teu suor
Que eu preparo pra você o mesmo ninho

Me leva pra onde bem quiseres
Que aceito e calo tudo como queres
Só me diz qual será minha lição
Que aprendo a me fazer em mil mulheres

Me leva pra tua toca teu abrigo
Eu garanto que prazer terás comigo
Não precisa me amar me adiar
Só precisa manter sempre o meu lugar

Um drive in de beira de estrada
Não importa se é dia ou se é madrugada
Me faz tua mulher por um instante
Que aceito a condição de tua amante

Permito que me bata que me ofenda
Que me jogue no chão me surpreenda
Permito que me chame de outro nome
Se me permite imaginar que és só meu homem.

Resto

Era muito agora é pouco
Era grande agora é outro
Vendaval agora um sopro
Era sã agora é louco

Era febre agora cura
Era sol, agora lua
Era bom, agora é menos
Era vinho, jaz veneno

Era blues, agora jazz
Eram mãos, agora pés
Era noite e é madrugada
Era tudo agora é nada

Era quente agora é frio
De cheio virou vazio
Era um vidro que quebrou
Virou mada, foi amor

Era muito
Era grande
Vendaval
Febre sã
Era o sol
Era um som
Virou pouco
Foi pra outro
E num sopro
Ficou louco
Ontem vivo
Hoje morto.

Gosto de Outubro

Eu gosto do que eu senti
Eu gostei de ter gostado
E eu gostei de fazer-te gostar
Eu gostei do teu gosto
Eu gostei de te gozar
Eu gostei do meu desgosto
E até do remorso por conta do gostar
Eu gostei das tuas mãos, unhas e dedos
Eu gostei do teu gosto em um determinado lugar
Eu gostei do teu beijo
Eu gostei da tua língua
Eu gostei de escrachar
O que eu queria escrachar
Eu gostei de me encaixar
Bem no teu corpo devagar
Eu gosto de lembrar e de te contar
E gosto da idéia de ter te feito gostar
Tu gostas do meu jeito
Minha coragem de avançar
E eu gosto do teu gosto
Do teu busto
Do vulgar
Eu gosto do encosto
Do encaixe
Do gozar
Eu gosto dos teus gritos
Teus suspiros
Teu olhar
Eu gosto quando eu grito
E não me pedes pra calar
Eu gosto dos gemidos
Dos sussurros
Do lugar
Eu gosto da saliva
Da bebida
Do jantar
Eu gosto de sair sem saber onde chegar
Gosto da tua companhia
Quando vou à este lugar
Eu gostei do meu erro
Do teu erro
Nosso errar
Eu gosto do teu beijo, do teu jeito, do teu gosto, do teu gozo, teu gostar
Eu gosto do teu ego
E me entrego ao teu gostar
E gosto de gostar
E de gostar de te gostar
Eu gosto do teu cheiro, da tua pele, boca, nuca, dedos, unhas, pés, pescoço
Palavras que querem se soltar
Mas não gosto do não posso
Do não devo
Do meu medo
Da tua falta
Então me calo
Então me cubro
E o meu desgosto
Tem lugar.

Suspiros


Deixa esse pudor de lado
E olha nos olhos do meu desejo
Deixa falar alto a tua pele
Não peça pra eu me calar
A não ser que seja com um beijo
Me fala teus segredos mais sujos
Que eu entendo e te digo:
Tenho sujeiras deliciosamente iguais
Tenho desejos pecaminosamente ilícitos
Tenho sonhos deliciosamente insanos
E tenho coragens que te causariam medo
Fala teus segredos com tuas mãos
Conta-me tuas verdades com teu corpo
Guarda-me em tua pele como cheiro
Mostra-me o gosto da tua boca
Põe-me a prova a minha força
Arranca-me os cabelos e os gritos
E o gosto da tua língua?
E o gosto da tua pele?
E o cheiro do teu corpo?
Ah...
Eu quero é te sentir respirar
E ver teu corpo pulsando sobre o meu
Eu quero ouvir teus suspiros
Te responder com gemidos
Te embriagar de prazer
Eu quero é te mostrar quem eu sou
Eu quero é provar do teu doce
Eu quero é me dar a ti
Te entregar meu corpo, meu amor
Porque minha alma
Essa, já é tua.



Essa Coisa Tua

Essa coisa tua
Que vezes me apavora
Causando dores na espinha
Vez me acalenta
Causando paz desconcertante
Essa coisa toda
Que vezes me apavora
Vez me vem leve
Como um sopro
Outras vezes me vem forte
Como um vendaval
Esse amor tranqüilo
Essa paz amável
Esse beijo guardado
Essa vontade feroz
Esse doce invólucro
Que me acalenta
Que me angustia de uma forma que eu gosto
Gosto tanto que me deixo angustiar
E essa certeza? Onde guardar?
Essa certeza de que a vida escreve torto
Por entrelinhas analfabetas
Mas é essa coisa tua, meu amor
Que me ilumina
Me alimenta
Me acalenta
E me da paz
E a certeza de que vou levá-lo comigo
Por cada passo que quiser andar
E essas cores todas?
E essa coisa toda?
E essa coisa tua?
Que me tomou como um destilado
De uma vez
Num só gole
Numa só embriaguez
E essas cores todas?
Sabe meu amor, vamos guardá-las!
E tê-las em paz
Quem sabe em outros carnavais?