Tudo é uma questão de semântica.

terça-feira, 23 de abril de 2013

INCESTO

Somos todos vis
Cruéis e mesquinhos
E a fumaça do cigarro me levou pra bem longe
Viagens pesadas no meio da estrada
E o espelho me mostra quem eu sou
Era como se o ato incestuoso
Tivesse sido previamente calculado
Planejado e armado
Erro
Era como uma mensagem numa tela digital
Erro
Era o que rodava minha cabeça como pássaros azuis
Erro
Era como se meu sangue tivesse sumido e levado junto minha consciência
E a vidraça embaçava
Erro
E os milhões de pessoas a quem machuquei?
E os tantos que faríamos chorar?
E o momento não me sai da cabeça:
Erro
Erro
Erro
Fogueira!
Deveríamos ser condenados a fogueira, sem piedade
Deveríamos pagar por tal atrocidade
Deveríamos levar chibatadas em praça publica
O pesar vem como milhões de raios que me acometem num momento de repouso
E os rostos todos, todos aqueles rostos
Que nos olham
Que nos apontam
Que nos condenam
Que nos desmontam
E os nossos dedos no nosso próprio rosto?
E a dor?
E o peso?
E depois?
E antes?
Como foi?
Erro
A fogueira dos incestuosos foi acesa, agora só basta esperar queimar.

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