Não quero mais o que não me deixa marcas
Na pele, na derme, na alma
Não quero mais o vazio da liberdade que aprisiona
Tampouco a ilusória prisão da liberdade
Mas me quero ter, como me tinha outrora
Não quero mais contar as horas
Com as chagas pulsando nas mãos
Com o câncer ardendo no estomago
Com o suor escorrendo na pele
Não quero mais não querer mais
E escrever poemas desonestos
E partir de princípios pegajosos
E escrever sempre os mesmos versos
Me respirar e me proteger
Do teu propósito insano
De ser teu remédio profano
De ser a cura pro teu tédio
A borracha que apaga as mágoas
E afaga a carência onipresente
Quero me ter e doar a quem quiser honestamente
Queira tanto que desanda a doer
Que faço com os poucos dias que me restam?
Que faço eu com a visão do mal que estou cavando?
Que faço eu me jogando no meu próprio inferno?
Que faço eu, vomitando minha sanidade pra bem longe?
Corro ou grito?
Choro ou fico?
Cheiro ou riso?